Facilitando a competição

28 de Agosto de 2009, 0 comentário Oi pessoal, eu não gosto muito de recortar e colar textos de outros blogs ou sites, mas gostei muito desse artigo que acabei de receber do Prof. Dr. Efraim Rodrigues que quero dividí-lo com mais pessoas.

"Só existe ecologia vegetal na Califórnia, brincava um antigo professor sobre a concentração de estudos naquela parte dos Estados Unidos.
Desde o século passado que a ecologia vegetal tem se concentrado em estudar a competição entre plantas, as pessoas até associam selva com luta, competição. Não existe até a expressão lei das selvas ?

Recentemente, os pesquisadores começaram a perceber que as plantas também ajudam umas às outras. Qual mudinha consegue crescer a pleno sol ? Muitas vezes uma árvore faz sombra para uma muda de outra espécie, facilitando a vida para ela.

É possível que os ecologistas norte americanos tenham se concentrado na competição como um reflexo da sociedade competitiva em que vivem. A ciência não é exercida de forma fria em laboratórios por pessoas absolutamente racionais. A teoria da evolução, por exemplo, foi criada em um momento de profunda crença no progresso.

Já no Brasil a competição não é um valor tão arraigado em nossa cultura, e a idéia de plantas ajudarem plantas de outras espécies não nos parece tão estranha assim.
Até os golfinhos daqui são bons de briga. Em uma travessia que fiz para uma ilha na semana passada, eles investiram bravos contra a balsa.


Os golfinhos que vejo nadando perto de barcos no Brasil nadam junto, um pouco à frente da proa. Na verdade, o que ambos querem é chamar sua atenção para proteger o resto do grupo, mas por aqui eles chamam atenção de maneira mais agressiva.

Quando a gente pensa em florestas e desertos, imagina logo que a competição seria muito maior no deserto, onde a vida é mais difícil. Ao contrário, a lição muito útil que a natureza nos ensina é que plantas ajudam plantas muito mais em desertos que em ambientes menos difíceis. Quanto mais recursos um lugar possui, maior será a competição, o que talvez explique porque a lei das selvas é tão válida por aqui.

Ao nos concentrarmos em facilitação ao invés de competição, um mundo de possibilidades se abre e não só para o estudo de plantas.

Uma agricultura baseada em plantas amigas iria pensar em quais plantas estimulam o desenvolvimento umas das outras, ao invés de pensar como matar ervas daninhas. Com mais espécies de plantas no campo, a vida de outros inimigos como insetos e doenças também seria dificultada.


Sair da competição para a facilitação é uma lição de vida para algumas pessoas daqui, mas este é um assunto que deixo para os colunistas em relações de trabalho."

Sobre o Autor: Efraim Rodrigues, Ph.D. (efraim@efraim.com.br) é Doutor pela Universidade de Harvard, Professor Associado de Recursos Naturais da Universidade Estadual de Londrina, consultor do programa FODEPAL da FAO-ONU, autor dos livros Biologia da Conservação e Histórias Impublicáveis sobre trabalhos acadêmicos e seus autores. Nos fins de semana ajuda escolas do Vale do Paraíba-SP, Brasília-DF, Curitiba e Londrina-PR a transformar lixo de cozinha em adubo orgânico e a coletar água da chuva. Atualmente em licença sabática na Universidade de Duke. Veja colunas anteriores em http://www.efraim.com.br/Blog/Blogger.aspx

Obs: A foto da onça é do amigo Guto Bertagnolli! A dos macacos é minha mesmo!